sexta-feira, 17 de agosto de 2007

No espaço ninguém irá ouvir seus gritos

FERREIRA 17.JUL.07
re:Análise

"Puf,puf...Oh não, eles estão chegando!Eu tenho que escrever isso rápido...Puf,puf......Ah não, a arma emperrou! -BANG!BANG!- Desemperrou.Puf,puf...Estou quase chegando na porta.Eles estão me alcançando!OH NÂO! -BANG!BANG!CLICKCLICKuuuuurrrrrrrghhhhhkillllmeeeeeeeeeBANG!splocht.bzzzzzzzzzz...



È incrível como alguns jogos tão fascinantes passam completamente despercebidos.Por exemplo, se você disser o nome "System Shock" em alguma sala cheia de fãs de jogos de computador, dificilmente alguém moverá uma palha.Porém, este é um daqueles típicos casos de nomes familiares, onde todos já ouviram falar, porém ninguém jogou.Mas na nossa era de eMules e BitTorrents, é fácil matar a curiosidade com alguns cliques e paciência (se você tiver uma conexão 200k como a minha).System Shock 2 é a sequência do jogo System Shock (dã),lançado em 1994, este no qual você controla um hacker que enfrenta monstros e um sistema de computador maligno.È sabido que este jogo foi bastante influente, assim como o seu sucessor, este lançado em 1999.SS2 é jogo de aventura futurista em primeira pessoa,mas que mistura
elementos de outros estilos, como RPG,adventure e terror psicológico.



A jogo começa com "você" (o seu personagem), se alistando nas Forças Armadas de uma organização de segurança mundial,a UNN.Após um curto treinamento e escolher a qual divisão do exército você irá pertencer (Marines,especialistas em tiroteio,Navy,especialistas em tecnologia e hackear computadores,e a OSA,especialista em uso de habilidades psíquicas.),você passa por 4 anos de treinamento em missões da sua escolha.Porém você não joga estas missões,apenas as escolhe para determinar os atributos numéricos do seu personagem.Após isso,você vê um filminho que detalha um pouco da história do jogo:a Von Braun,a primeira nave estelar capaz de viajar mais rápido que a luz na história da humanidade,está prestes a ser lançada e será escoltada pela nave Rickenbacker,da UNN,onde você foi aceito para estar.Porém,ao que tudo parece, *algo* deu errado.O seu personagem acorda no Deck Médico da Von Braun,e recebe ordens de uma tal de doutora Polito para sair dali.Dali pra frente,você verá que o lugar foi quase todo destruído, e agora está cheios de zumbis assassinos,robôs assassinos,criaturas insetóides assassinas,entre outras coisas assassinas que excedem a descrição."Pô" você deve estar pensando "um jogo de tiro em que você mata monstros numa estação espacial destruída é o maior clichê do mundo!O que eles fizeram,abriram um portal pro inferno,hein?".Vai nessa,em System Shock o buraco é bem mais em baixo...



A primeira vista,a interface de SS2 pode parecer confusa, já que você deve manipular itens,audiologs,mapas e informações sobre o status do personagem.Mas isso é só impressão inicial,pois com o tempo você vai acabar se habituando a tudo.Este detalhe só demonstra a complexidade inicial de SS2 em frente a outros jogos de tiro.Os tais elementos de RPG,por exemplo,servem não afetam o jogo por trás dos panos,e sim diretamente,pois,por exemplo,é necessário tantos pontos de habilidade num determinado tipo de arma para poder conseguir usá-la ou tantos pontos de habilidade em hackear para conseguir passar por certos computadores.Isso faz com que você tenha uma experiência de jogo determinada pelo tipo de personagem quê você constrói ao investir os seus Cyber Modules(itens que servem para "upgradear" o seu personagem e são encontrados pela nave e enviados a você pela Dra.Polito).Ah,eu eu quase me esqueço:existem várias habilidades para serem utilizadas e desenvolvidas,desde das já citadas capacidades de usar classes de armas diferentes e mais poderosas e poder hackear computadores para ganhar itens ou desabilitar segurança,até pesquisar itens desconhecidos para saber suas utilidades,modificar armas e dúzias de habilidades psíquicas diferentes.Mas o interessante é que muitas habilidades são complementares,ou seja,algumas habilidades psíquicas melhoram seu desempenho como hacker,habilidades de pesquisa fazem você poder usar armas melhores,etc..O jogo estimula você a criar um personagem mais equilibrado,ao invés de um mais focado em um atributo.Porém,não é possível evoluir todas as características do personagem,pois nem todos os Cyber Modules do jogo permitem isso,além de que os upgrades mais avançados são muito custosos.Então,para conhecer tudo que o jogo tem a oferecer,é preciso jogar mais de uma vez.



O que vai realmente fazer você se lembrar de System Shock 2,porém,é com certeza o clima que o jogo cria.Os ambientes destruídos e com sinais de luta,os múltiplos corpos (e pedaços de corpos) da tripulação da nave espalhados,uma voz esquisita vinda do nada que de tempos em tempos rumina alguma frase na caixa de som,e principalmente os "fantasmas" (na verdade resquícios psíquicos) dos tripulantes momentos antes da morte deles.Tudo isso contribui para uma atmosfera de paranóia atemorizante,o suficiente até para considerar SS2 um jogo de terror.Mas não
terror no sentido "cachorros-pulando-das-janelas-quando-você-menos-espera",mas sim investindo contra o psicológico do jogador.Outro detalhe essencial para essa atmosfera são os muitos audiologs,diários sonoros dos integrantes da nave,que estão espalhados pelo jogo(e que eu tentei parcamente reproduzir no começo da análise).Encontrar alguns deles dão informações vitais para o progresso do jogo,como senhas de portas,mas a grande maioria serve para compor uma história incrivelmente rica em detalhes.Esses logs contam desde os detalhes da vida dos tripulantes e as picuinhas entre eles,mais principalmente respostas para toda a insanidades que acontecem na nave,o que são aqueles monstros,como eles chegaram na nave,até os assustadores relatos finais dos tripulantes.São tantos detalhes,realçados por um bom texto e uma boa dublagem,que a história se revela uma atordoante batalha entre o orgânico e o cibernético em que o seu personagem é um mero peão,e fica mais complexa a medida que o jogo avança,ao ponto que se torna muito difícil falar sobre os audiologs sem revelar algum detalhe importante.Mas sobre uma coisa importante eu posso falar:o vilão.



Lembra do sistema de computador maligno que atazana a vida do jogador no primeiro jogo?Pois é,ele não é "só" um sistema de computador maligno,e sim um dos vilões de videogame mais sensacionais que eu tenho notícia.Mais precisamente,uma vilã.SHODAN é o nome dela,e o jeito como ela entra na história é tão memorável como surpreendente,e ao longo do jogo,você e ela tem de trabalhar em conjunto para deter "uma grande ameaça".Mas no processo,ela faz questão de te escarnecer e diminuir te chamando de "inseto" e "patético",e sem deixar de enaltecer a sua própria magnificência e destino á onipotência.Ela é uma vilã multifacetada e cheia de possíveis interpretações,e o conflito entre você e ela vai crescendo até um explosivo (embora um pouco fácil) enfrentamento final.



Durante as suas aventuras a bordo da Von Braun e da Rickenbacker,seus principais objetivos deverão ser ativar ou desativar coisas e encontrar itens.Os muitos andares da nave são labirínticos,e muitas vezes intimidadores ao iniciar,e é muito fácil acabar não achando um item ou uma passagem mais escondida.Os mapas também são cheios de armadilhas,como salas radioativas,"turrets",câmeras de segurança que se te filmam mandam todos os inimigos da fase pra cima de você,e aquele maldito robozinho que explode na sua cara.Felizmente,sobram itens para recuperar energia e pontos utilizados nas habilidades psíquicas.Durante o jogo,você também encontra nanites,que servem para comprar itens nas máquinas replicadoras da nave,implantes para aumentar sua capacidade,e até um porta-joguinhos,que serve para você jogar uns joguinhos retrô enquanto aquele item demorado está sendo pesquisado.Porém,como num RPG normal,existe um limite de itens que você pode carregar(que é relativamente pequeno),e como as armas ocupam bastante espaço,muita vezes você precisa jogar itens importantes fora.



Um outro problema que incomoda bastante é relativo aos inimigos.Alguns,como os robôs mais fortes e os turrets,precisam de um tipo de munição mais forte para serem abatidos;porém,esse tipo de munição não abunda no jogo,e ás vezes é muito cara,deixando você forçado á abater um inimigo usando uma arma de mão para economizar munição.Outro problema é relacionado aos inimigos mais fracos,que reaparecem (também conhecido como respawning) depois de um tempo.Isso é muito irritante nas fases que exigem mais exploração e idas e voltas,já que a munição como eu disse é muito escassa.Sem contar que alguns inimigos(como o infame robozinho que explode na sua cara e me deu um tremendo susto quando eu tava ocupado olhando o mapa e não vi ele chegando) nem podem ser atingidos por armas de mão,forçando você a usar a pistolinha de energia.E também,as armas se degradam durante com o tempo,e a sua arma enguiçar no meio de um combate pode ser fatal,principalmente quando não há tempo de consertá-la sem ser eviscerado pelos monstros.E piora,pois os respawns desontrolados podem acabar fazendo com que você seja emboscado por um grupo enorme quando você estiver voltando a um cenário.



Mesmo com suas falhas,SS2 é um jogo de vanguarda,que influenciou de vários jogos de tiro subsequentes,como Deus Ex e Metroid Prime,e que também ganhou uma legião de fãs fiéis na mesma proporção onde não teve sucesso comercial.Esses fãs criaram patchs para atualizar os gráficos do jogo,e imploram por um terceiro episódio da série.Mas o que o pessoal da Irrational Games(que acaba de ser adquirida pela Take Two) está fazendo é bem mais interessante que uma mera sequência,mas sim uma reinterpretação da mecânicas do jogo original como uma história e backgrounds completamente novos.O projeto chama-se Bioshock,e tem previsão de lançamento para ainda este mês.Pelo que eu vi até agora parece ser animal(quem estiver mais curioso visite o site do jogo,aqui).Mas de mais a mais,para ou desprovidos de um Xbox 360 ou de uma placa de vídeo razoável,ou apenas quer jogar um bom jogo,pode ir feliz no System Shock 2.È o melhor thriller de fiçcão científica que você jamais vai ver no cinema.



E a moral da história é:"Sempre atualize seu antivírus,senão a SHODAN vai invadir seu computador e querer dominar o universo."

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

TOP 7

Opa,de volta,depois de mais de duas semanas sem postar,resultado de uma viagem mais semana de provas de recuperação.Mas enfim,acho que todo mundo,principalmente eu,uma hora vai encher o saco das análises de jogos.Por isso,periodicamente aqui no blog eu vou publicar um Top 7(Lê-se Top Sete,e não Top Seven) relacionado á algum assunto do mundo dos games.Vale lembrar que os Top 7 são completamente parciais e baseados em critérios subjetivos,e que se restringem aos jogos que eu joguei,que não são muitos.Portanto,se você não concordar,ter alguma sugestão ou simplesmente quiser falar mal por falar mal,não esqueça de comentar!

Top 7-Bons Jogos Baseados em Filmes

Um dos clichês mais antigos da cena gamer é o de que 99% dos jogos baseados em filmes são horríveis.Balela.A maioria dos jogos baseados em filmes na verdade não são exatamente ruins,só sofrem com pouco tempo de produção,reutilização de idéias já conhecidas de todo mundo que joga,e inundações de bugs.Ou seja, eles teriam mais chance com mais tempo de produção,o que diminuiria a IRA dos fãs das propriedades intelectuais que os jogos representam.Pensando bem,mesmo com todo o tempo do mundo,vai ter sempre gente querendo faturar uns trocadinhos fáceis em cima de uns fãs (ou pais de fãs) das licenças.Mas esse não é o caso desses jogos listados aqui.Todos souberam, na minha opinião, aproveitar bem a licença na qual foram baseados.
(NOTINHA:Aqui eu só listei jogos baseados diretamente em filmes,e não spin-offs ou prequels.Por isso,nada de Knights of the Old Republic ou Escape from Butcher´s Bay.Mas nada impede que eles figurem em análises futuras...)






7-Harry Potter and the Chamber of the Secrets-Game Boy Color
Tá,tá,podem me chamar de fanboy de Harry Potter,eu não ligo,já que tem gente bem pior que eu (eu sei disso por que eu fui à estréia do último filme),mas isso é querer tirar os méritos deste,um dos poucos jogos do bruxinho que prestam para o portátil (por falar nisso,alguém jogou o último jogo pra GBA?Credo,o que é aquilo...).Este jogo,ao invés de um "adventure de ação",é um rpg legal à beça,onde você pode explorar uma Hogwarts enorme,realizar tarefas,explorar labirintos e jogar minigames.O jogo herda o molde do primeiro jogo (A Pedra Filosofal) para GBC,mas adiciona coisas como mais dois personagens jogáveis(o primeiro só dava pra controlar Harry),e trás mais dúzias de figurinhas para fazer combinações durante as batalhas.O jogo chegou até a influenciar o terceiro título da série para GBA,mas este foi muito inferior aos anteriores.Pena que eles não influenciaram os jogos seguintes da série...





6-O Senhor dos Anéis:O Retorno do Rei-PC,Xbox,Ps2,Gamecube
O Senhor dos Anéis pode ser uma série de livros muito chata (se você leu As Duas Torres,você sabe do que eu estou falando).Porém,as adaptações para o cinema dirigidas por Peter Jackson são tudo menos chatas,e tiveram adaptações para os games a altura.Podem dizer que este e o jogo anterior (as Duas Torres) são beat'em-ups glorificados.Mas a graça é que são mesmo,e não tem a menor vergonha disso.O jogo dúzias de personagens,estes cheios de técnicas para serem desenvolvidas,e várias fases desafiadoras,onde não dá pra salvar a qualquer hora,e que você vai morrer bastante até vencer.





5-Alladin-Sega Genesis
Ê,bons tempos que não voltam mais...Alladin foi mais uma das ótimas animações pré-computação gráfica da Disney (com ou sem mensagens subliminares bizarras),e ganhou duas adaptações diferentes para os grandes consoles da época,o Super Nintendo e o Sega Genesis (vulgo Mega Drive).Enquanto a versão para o Super Nintendo é bisonha,cheia de pulinhos e maçãs jogadas que dá pra zerar em meia hora (eu falo isso porque eu tenho esse jogo),a versão para o Genesis é um clássico old-school,que além de ser difícil pra burro,tem cenários hiper detalhados e ação frenética.Fala sério,quem nunca jogou esse jogo?





4-King Kong-PC,Xbox,PS2,Gamecube
Peter Jackson ataca novamente!O remake do filme King Kong por ele pode não ter agradado a todos,mas o mesmo não pode ser dito ao jogo.Produzido pela Ubisoft e capitaneado por Michel Ancel,criador de Rayman e do sensacional (e desconhecido) Beyond Good and Evil,o jogo em primeira pessoa é mais focado na sobrevivência na ilha infestada de criaturas do que no tiroteio.O jogo tem puzzles inteligentes que exigem cooperação com outros personagens,tensão de sobra nos encontros com os monstros mais fortes,e fases em que dava para controlar o próprio macacão,destruindo tudo e caindo na porrada com dinossauros.Mas o principal problema (que também é um dos principais problemas de jogos baseados em filmes) era a sua duração curtíssima,mesmo com vários extras e um final secreto pra liberar.





3-Lego Star Wars-PC, Xbox, PS2
Existem tantos jogos de Star Wars que dava pra fazer um Top 7 só deles (hummm...),mas entre os baseados diretamente nos filmes poucos se destacam,entre eles a série Super Star Wars,o relativamente medíocre The Phantom Menace,e o divertido Vengeance of the Sith.Porém,o melhor jogo baseado na série foi este Lego Star Wars.Apesar de claramente voltado ao público infantil, o jogo, que adapta a nova trilogia, se mostra divertido para todo mundo,com desafios de plataforma e cooperação bem-bolados.Entre esse e a sequencia The Original Trilogy,eu prefiro este,pois,apesar de a trilogia original ser bem mais legal, este jogo não obriga o jogador a a passar duzentas vezes pela mesma fase e as partes com veículos são bem mais legais.Porém,há de se admitir que The Original Trilogy é ainda mais engraçado que este.





2-Matrix: Path of Neo-PC, Xbox, PS2
Enter the Matrix,lançado junto com o filme não era um jogo tão ruim quanto se falou,mas também não era bom o suficiente nem para o mais otimista fã de Matrix(tipo eu) ficar contente.Com este Path of Neo,lançado em 2005,os irmãos Wachowski tentaram tapar o buraco gamístico da série (quer dizer,com este e com Matrix Online,mas se você quer saber deste vai perguntar pras 20 pessoas que jogam).Neste jogo,em vez de controlar os ilustres desconhecidos Ghost e Niobe,se controla o Mr.Anderson em pessoa,desde o início,fugindo dos agentes no prédio,e passando por todos os momentos marcantes do primeiro e segundo filme (por que Matrix Revolutions não teve nenhum momento assim),tudo com muita pancadaria,tiroteio e bullet time.O jogo tem momentos altamente filosóficos,que expandem as mensagens do filmes,mas também tem um senso de humor bastante peculiar,que culmina num final alternativo ao do terceiro filme,e que também é o final mais sensacional da história dos games.Só vou dizer que envolve um Agente Smith gigante e trilha sonora do Queen.





1-007:Goldeneye-N64
Esse é barbada,também,né?Não só a Rare revolucionou os jogos de tiro com as missões baseadas em objetivos variados,que iam de resgatar reféns,fugir da prisão usando baragudecos tecnológicos,pilotar um tanque,e até aquela maldita missão em que se devia proteger a Natalya dos caras atirando.Também trouxe um dos modos multiplayer mais divertidos que se tem notícia,com vários personagens,armas e cenários.E isso fora as insanas fases secretas.Enfim,este é o jogo que praticamente viabilizou o FPS para consoles,sem contar que os jogos do agente secreto desde então nunca mais fugiram dessa fórmula.E eu prefiro partida de quatro jogadores no Goldeneye á qualquer Counter-Strike da vida.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Descendo pelo buraco do coelho

Lewis Carrol era um cara meio doidão.Gostava de tirar fotos de menininhas, jogos de lógica e ópio.Ele conseguiu juntar então todas as coisas que gostava num certo livro chamado Alice no País das Maravilhas, lançado em 1865.Este é um dos mais inteligentes e viajantes dos poucos livros que eu li, e apesar da sua imagem infantil, é cheio de aspectos ligeiramente sinistros e satíricos, coisas que às vezes se perdem quando se pensa em Alice pela adaptação da Disney.

American McGee é um cara meio doidão.Depois de fazer o level design de jogos como Doom 2 e Quake,também não era difícil ficar assim.Mas de algum jeito, o cara foi parar na EA, e aí ele teve a chance de criar o seu primeiro game, este completamente autoral.E então ele resolve buscar inspiração justamente no tiozinho de cima.E o que acontece quando dois malucos se juntam?


(Eu tenho MEDO dessa capa)



American McGee Alice foi lançado no final de 2000 para PCs,num mercado praticamente saturado de FPSs e RPGs do tipo clica-aqui-clica-ali,e causou um certo rebuliço,por ser uma reinterpretação de um clássico da literatura sob uma ótica dark e pessimista.Apesar disso, Alice não é um jogo de terror ou um survival horror da vida, e sim um jogo de aventura, com ação e plataforma.E tal e qual o livro no que é baseado, guarda algumas surpresas para quem for explorá-lo.



O jogo abre com uma sequência FMV fuleira, mas competente (estamos falando de um jogo de sete anos atrás, veja bem), que mostra o que aconteceu com Alice depois da sua primeira visita ao País das Maravilhas: um acidente pôs fogo em sua casa, matando seus pais, a deixando em estado catatônico.A garota é então internada num asilo para pessoas com problemas mentais, e o tempo passa, até que ela é convocada pelo Coelho Branco a voltar ao seu mundo de criança, já que ela é a única que pode salvá-lo do domínio da cruel Rainha Vermelha...



O detalhe que mais chama atenção em Alice inicialmente é o seu estilo gráfico.Os personagens são grotescos e sujos, mas cheios de carisma.Basta olhar o fiel companheiro de Alice durante o jogo, o Gato de Chesire, esquelético e sorridente.Os cenários não são visualmente arrebatadores, mas também são cheios de estilo.Outra coisa notável em Alice é a qualidade dos diálogos e dublagens.Alice, por exemplo, exacerba cinismo nas suas falas, demonstrando que não é uma mera garotinha assustada, e o Gato dá conselhos sobre o jogo sempre em charadas e com muito humor negro.Para quem leu o livro, ver a interpretação (ou desconstrução) de cada personagem nessa ótica neogótica (rima não-intencional) é interessante, principalmente por que a essência de cada personagem ainda permanece lá.



A sacada que envolve essa reinterpretação da história está justamente aí: enquanto no livro original era explorado a visão de uma criança não tão inocente sobre as tramitações da sociedade e o mundo, o jogo é justamente sobre essa jovem cheia de imaginação, agora lutando (literalmente) para superar um grande trauma.E para isso, ela deverá se desfazer dolorosamente de suas fantasias infantis.O seu mundo particular foi substituído por uma versão mais sinistra porque ela mesma passou a ser uma pessoa mais sinistra.E isso não é uma interpretação maluca que eu fiz, essa mensagem é declarada abertamente no jogo,especialmente nas partes finais.È só observar as duas frases trocadas entre Alice e a Rainha Vermelha antes do embate final.



Mas chega de interpretações artísticas.O povo quer saber: o jogo é divertido?Bom, em Alice, dificilmente você estará repetindo a mesma atividade, já que o jogo equilibra bem as sequências de plataforma, exploração e de combate.O problema é que a jogabilidade é meio equivocada.A personagem se move como num jogo de tiro em primeira pessoa, apesar da visão em terceira, com o mouse controlando a visão e os botões do mouse executando ataques.As etapas de combate, apesar disso, sofrem um pouco com a imprecisão dos ataques, principalmente das armas de curta distância, que acabam reduzindo a estratégia a bater, recuar e bater.As armas de longa distância, apesar de terem mira automática, muitas vezes passam bem longe do alvo.Falando nisso, as armas também seguem o padrão artístico incomum do jogo, e são todas "brinquedos"(exceto o facão),como um baralho-metralhadora,um dado que invoca um demônio,uma caixa de música que funciona como granada e umas paradinhas que quicam que eu não sei bem o que são.Um detalhe interessante é que cada tipo de inimigo é mais vulnerável a um tipo de arma, o que contribui para uma estratégia maior.



Enquanto nos combates a movimentação estilo WASD funciona razoavelmente, nas sequências de plataforma a coisa é diferente.Em Alice,a protagonista pula,escala,nada e flutua sobre chaminés,mas quando saltos exigem uma maior precisão(principalmente em casos de "errou o pulo,morre"),é meio difícil acertar o pulo,porque a câmera não é fixa.Nessa situações,os locais normalmente estão cheios de inimigos,o que torna a situação ainda mais complicada,pois certos inimigos fazem Alice voar longe quando a acertam com um golpe,tornando o jogo ainda mais bagunçado.Ou seja,é muito fácil morrer então.Apesar disso (ou por causa disso, não sei) o jogo é facilitado por detalhes como a possibilidade de salvar a qualquer hora, e também todo inimigo que Alice mata libera meta-essência, um item que recupera vida e energia mágica (que funciona como munição para todas as armas do jogo).



Alice é estruturado em fases, apesar de em alguns momentos o jogo faz você revisitar algumas áreas.Mesmo com a linearidade, é divertido explorar os variados ambientes, todos cheios de personalidade e de detalhes, como criancinhas malucas e deformadas que aparecem constantemente.A trilha sonora contribui para o clima "sick and twisted" do jogo, com pianinhos de brinquedo, caixinhas de música, relógios e outras sonoridades experimentais.



Então, isso é Alice.Um jogo soturno e sombrio,mas inteligente e recompensador para quem resolver desbravá-lo.È consideravelmente longo para um jogo de fases,e é cheio de atrativos para continuar jogando.A jogabilidade é esquisita,o que torna algumas sequências de plataforma enfadonhas,e a mira defeituosa contribui para um sistema de combate pouco equilibrado.No final das contas, Alice é um jogo acima da média, recomendado para quem quer um jogo com uma temática diferente.

sábado, 7 de julho de 2007

Mario?Que Mario?

Existem certos gêneros de jogo que definitivamente não se misturam, mesmo que sejam séries consagradas e fórmulas idem.Exemplos bizarros destes cruzamentos incluem coisas como Metal Gear Solid Ac!d,Megaman Soccer,e Resident Evil:Gun Survivor.A razão do (relativo) fracasso de jogos como esses, segundo alguns, está em que nas misturas se perderam a essência da série original.Bom, explicações e convicções á parte(já que eu adoro Megaman Soccer),uma mistura que fugiu á regra e se tornou um sucesso foram os RPGs do Mario.O primeira incursão do encanador italiano pelo mundo dos rolamentos de dados foi em 1996, com o jogo Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars,desenvolvido pela Square(a toda poderosa empresa produtora de Final Fantasy,pros leigos,que hoje é SquareEnix) conjuntamente com a Nintendo,na época em que as empresas ainda não tinham brigado-e-depois-reatado.O jogo era divertido, criativo e cheio de boas idéias que integravam a mitologia do Mario com o desenvolvimento de um RPG.O jogo acabou por influenciar outro que viria a surgir cinco anos depois, que é o tema dessa análise.



Paper Mario é um jogo de RPG, mas que foge do tradicional do RPG.O foco aqui não está em treinar e subir de nível, mas sim nos reflexos do jogador e nas suas estratégias de batalha.O jogo foi lançado em 2001, lá no finzinho da vida do Nintendo 64, e foi desenvolvido pela Inteligent Systems,uma second-party(empresa que desenvolve jogos exclusivamente para serem distribuídos por outra)da Nintendo.



A primeira vista, o que realmente chama a atenção em Paper Mario é o seu estilo visual peculiar: ambientes em 3D com personagens em 2D, dando a impressão que são os personagens são figuras de papel.Os ambientes também aproveitam dessa impressão: alguns cenários desdobram como folhas de papel quando você entra neles.Mario também reage com o ambiente desse jeito, flutuando como uma folha de papel quando cai de alguns lugares.Essa interações seriam ainda mais exploradas na sua sequência,The Thousand Year Door,para Gamecube.




A história de Paper Mario é bem simples, servindo mais como prerrogativa para a ação: Era uma vez uma montanha chamada Star Haven,um lugar onde sete espíritos gente-fina chamados Star Spirits viviam,e com o poder de um artefato chamado Star Rod(parece que temos um tema comum aqui,não?)realizavam os desejos das pessoas.Mas aí o malvadão Bowser chegou lá, roubou o negócio e prendeu os Star Spirits.Depois, ele invadiu o castelo da Princesa Peach no meio de uma festa, com a intenção de tentar sequestrar a princesinha pela enésima vez.Mas Mario estava lá para salvá-la!Porém, ele não é páreo para os poderes do Star Rod,e acaba tomando uma sova do lagartão.Com Mario derrotado, Bowser ergue o castelo da Princesa aos céus,e joga Mario de lá!Agora, ele deverá encontrar os sete Star Spirits e acabar com os planos nefastos do nefasto Bowser!

(Eis a melhor história de RPG de todos os tempos!)




Ironias a parte, como eu disse anteriormente,não espere uma história profunda ou desenvolvimento complexo de personagens.è um jogo do Mario,afinal de contas,então espere diálogos divertidos e personagens peculiares.Paper Mario é um jogo que surpreende os jogadores de RPG mais ortodoxos pela sua simplicidade aparente, que esconde um jogo bem complexo.




Pegue sistema de batalha, por exemplo: a batalha somente começa quando um inimigo no mapa encosta no Mario.Porém, o personagem pode atacar o inimigo com uma martelada ou um pulo, ou ser atingido por um ataque do inimigo, o que fará com que ele começa a batalha causando ou levando dano.Durante a batalha, as opções de ataque são aparentemente limitadas, mas com o desenvolvimento do jogo, o jogador começa a ter cada vez mais e mais opções de combate.Também, há um sistema muito interessante, importado diretamente de Legend of the Seven Stars: durante o ataque, o jogador pode apertar o botão A instantes antes de atingir o inimigo, amplificando o dano, ou, quando o inimigo está atacando, apertar o botão A para receber menos dano.Tais comandos são essenciais para a sobrevivência nas batalhas mais complicadas, pois os danos causados por Mario e seus aliados dificilmente ultrapassam a casa dos dois dígitos.E esses comandos são só o começo; diferentes ataques especiais,seus e dos aliados,requerem minigames diferentes,e as vezes as defesas dos ataques dos oponentes exigem reflexos rápidos e bom timing.Tudo isso torna as batalhas interessantes e imprevisíveis.




Outro detalhe notável é que o foco das batalhas de Paper Mario não está na subida incansável de nível, até porquê,ao subir um nível,é só três atributos podem ser evoluídos:Heart Points,que representam a energia do personagem,Flower Points,que representam a energia para ataques especiais dos personagem,e Badge Points,que representam a quantidade de Badges que o personagem pode usar(isso será explicado daqui a pouco),e também que enfrentar inimigos mais fracos que o personagem dá progressivamente menos pontos de experiência,até não dar mais ponto nenhum.O foco está na estratégia e observação dos inimigos.Por exemplo, um inimigo com um espinho na cabeça, não pode ser pulado em cima,se não o Mario recebe dano,logo,é melhor dar uma martelada;se um inimigo é um Koopa,a estratégia é oposta,pois ele não receberá dano com marteladas.Alguns inimigos como os pendurados no teto, os em chamas,os com espinhos e cascas,os grupos muito grandes e os com muita energia,entre outros,exigem estratégias ainda mais elaboradas,inclusive envolvendo ataques dos seus aliados.E as batalhas contra chefes são com certeza as mais criativas, pois tem cada chefe tem uma manha diferente que deve ser sacada para eles serem derrotados.E chefe é o que não falta no jogo.




Em Paper Mario os aliados do personagem principal também tem uma função ligeiramente diferente da dos RPGs tradicionais.Os ajudantes, que incluem um Goomba espertinho, um Paratroopa carteiro, uma fagulha de chupeta e uma Boo meio lady, só podem ocupar o lugar de um por vez ao lado de Mario.Logo, só o encanador italiano pode receber dano, e se ele morrer, é Game Over.Mas os aliados também podem receber ataques; neste caso, eles ficam alguns turnos sem participar da batalha.Cada aliado é pensado para desempenhar uma função na batalha, e o jogador terminará trocando várias vezes entre todos durante o jogo.Os aliados também são utilizados para solucionar puzzles simples no mapa: sua amiga Bomb-Omb pode explodir uma rachadura na parede, ou o Koopa pode acertar um switch muito distante usando a sua casca.




Outras elementos importantes na batalha são as Badges,itens que podem ser equipados no menu.Para equipá-los, são consumidos os Badge Points,e cada badge consume uma certa quantidade deles.Elas provocam uma infinidade de bônus aos personagens, tais como aumentar ataque, defesa,fazer os inimigos errarem o ataque com mais frequência,ficar resistente a um certo tipo de ataque,entre outro.Um outro elemento importante na batalha são os poderes dos Star Spirits.Para usá-los, se consome uma barrinha de energia, que é recuperada ao atacar ou usando o comando Focus.Conforme Mario libera os Star Spirits,maior a barra fica,e mais poderes ele ganha.




Mas nem tudo são flores em Paper Mario (exceto na região Flower Fields).Apesar do sistema de batalha profundo, o visual infantil dos personagens e ambientes pode afastar os jogadores mais "adultos".A movimentação do personagem também é meio lerda, o que faz com que atravessar cenários fique meio torturante de vez em quando.Fora da história principal, as sidequests também não são um ápice de brilhantismo, normalmente envolvendo você ir a um lugar e falar com alguém(apesar de algumas envolverem batalhas realmente intensas e complicadas,como a do Dojo na Toad Town).Até mesmo a exploração do complexo esgoto da Toad Town acaba sendo obrigatória em dado momento, o que conspira para a linearidade do jogo.Mas o pior com certeza são os interlúdios onde você controla a princesa Peach.Além da overdose de fofura e diálogos bregas, os minigames são muito bobinhos e não adicionam praticamente nada a experiência do jogo.




Paper Mario pode ser um título com falhas, mas as suas qualidades as ultrapassam com toda a certeza.O visual do jogo pode não agradar a todos, mas é de longe o melhor RPG do Nintendo 64 (dos três ou quatro lançados).A quantidades de detalhes que o jogo envolve é tão vasta que seria difícil falar tudo numa análise só, e o sistema de batalha é bem mais divertido que na maioria dos RPGs.As músicas e efeitos sonoros são também de alta qualidade, o que faz o jogo merecer uma chance dos jogadores mais hardcore.Pode não ser a experiência mais profunda do mundo, mais diverte bastante.